Todas... todas estão a serviço da Vida. Um mistério insondável envolve esses seres que - a partir da semeadura em um Big-Bang-biológico-epiritual - dão a luz a outro ser, vindos de outro mistério e que aportam o mundo para sua singular jornada. Parte da ciência assegura: como tudo o que vive, são feitas de poeira estelar. São, antes de tudo, uma subespécie - ou sobre-espécie- existente em todo o espectro feminino-ecossistêmico-animal. Dizem que as mães nascem com instintos que emergem ao se transformarem naquelas que - ao transmitirem o mistério da vida- são responsáveis pela preservação e continuidade da própria existência terrena. Basta a observação do mundo animal para a constatação de que é por esse intermédio que a própria lei da Natureza determina a existência e a sobrevivência de todas as espécies. Afinal, mesmo sob os avanços científicos das barrigas de aluguel, inseminações artificiais, o começo de tudo se encontra na constituição do único ser passível de concretizar o sopro divino em vida.
De certo, há um mistério envolvendo essas a quem se
determinou a corresponsabilidade pela continuidade da existência na esfera
planetária. São naves que interligam mundos diferentes; transladam existências
e fabricam seres os quais, desde que semeados, chegam com toda sua complexidade
bio-existencial para adentrarem o privilégio de cursar suas próprias
experiências existências. São, sim, criaturas interestelares. Não exercem papel,
ou fortuita missão; são mistérios gerando mistérios na igreja bendita do seu interior.
São elos que ligam toda a herança ancestral - física (DNA) e informacional; que
liga o passado ao futuro. É desse lugar - e somente desse lugar - que todo
passageiro chega ao seu destino, tendo experimentado tudo que necessitava
durante essa imperscrutável jornada. Nesse aspecto, toda mãe cumpriu sua missão
de mediação entre o sagrado e o profano, interligando mundos distintos. Muitas só fizeram isso, porém, por mais paradoxal
que seja, isso foi e é tudo. Todo viajante trouxe, por essa vinculação, a
experiência da abundância e do sucesso de sua própria frutificação.
Muiiiiiito recentemente o pesquisador e sintetizador das experiências
que fez ao longo de sua abundante carreira, Bert Hellinger, veio nos desvendar
a grandiosidade do vínculo que se estabelece nessa composição inigualável entre
mães e filhos. Por essa proposição, todos
os indivíduos conheceram o primeiro e imprescindível sucesso de suas vidas no
ventre materno. É desse lugar que tudo lhe é graciosamente ofertado para aportar
nessa vida. Vem desse corolário de conhecimentos e experimentações a concepção sistêmica
de Campo (de informações) Morfogenético, segundo o qual vidas se interagem e
todos fazem parte. Desse modo, a singularidade da maternidade e esse
consequente vínculo é O Mistério inigualável e indestrutível muito além do
aparente e concebível. À luz da abordagem sistêmica, pode-se concluir: mães são
naves-espaciais e especiais – carregaram (e carregam) todo o mistério da
co-criação; elos pelos quais não só é concebível a perpetuação da vida, como manutenção
das memórias ancestrais oriundas do campo-genético-informacional tangente e vigente
em conexão permanente.
Campo Grande, MS, 05.05.2022
Maria Angela Coelho Mirault
Mãe
Nenhum comentário:
Postar um comentário