sexta-feira, 1 de abril de 2011

NOTÍCIAS DO LADO DE LÁ

“É tudo mentira; a comunicação com os mortos nâm-ecxistem”, afirmaria o mitológico, ontológico e parapsicólogo padre Quevedo, caso fosse pela milionésima vez questionado sobre a questão. Contudo, se expande, no mundo, a crença na possibilidade de que seja possível, por intermédio de uma mediação, obter-se notícias sobre aqueles que já seguiram viagem para outras paragens que não a nossa dura realidade regida pelas leis da física.
A constatação da intercomunicabilidade entre as dimensões distintas da existência humana tem sido profusamente difundida no mundo atual, pela literatura, seriados de tevê e produções cinematográficas. Esse evento, porém, ainda tido no campo da ficção e da paranormalidade, tem seus registros desde o atavismo de nossos ancestrais, perpassa a mitologia grega; os livros sagrados do Oriente; o Velho e o Novo Testamento, e, contemporaneamente, é exaustivamente estudado e apresentado na codificação kardequeana.
O filme “Chico Xavier” assistido por 3,5 milhões de pessoas e “Nosso Lar” por 4 milhões de expectadores comprovam que a temática não só se dirige aos que estudam e praticam o espiritismo, como ultrapassa as mais diversas correntes dogmáticas do pensamento filosófico-religioso, despertando, cada dia mais, o interesse de multidões de expectadores.
O filme “As mães de Chico Xavier”, lançado no último dia 1o. de abril do corrente ano (2011), foi roteirizado a partir das 256 páginas do livro “Por trás do véu de Ísis” (Editora Planeta), de autoria do jornalista Marcel Souto Maior. O filme retira dessa obra jornalística três testemunhos que aborda a ultrapassagem do momento de ruptura trazido pela morte. Registra relatos mediados por Chico Xavier (1910 - 2002), atestados pelas figuras maternas enfocadas, com relação às mensagens recebidas de seus filhos mortos, desvendando uma realidade metafísica além do nosso parco entendimento.
É inegável o dom da mediunidade que distinguiu Chico Xavier como intermediário de milhares de comunicados de outra dimensão da vida, aliviando dores, explicando o inexplicável, consolando, esclarecendo e aproximando amores apartados. Sua “paranormalidade” foi exaustivamente estudada, sempre com o objetivo de desmascara-lo, exauri-lo, descredencia-lo, mas, isso nunca foi possível. Há estatísticas que contabilizam 50 milhões de exemplares vendidos de suas 451 obras psicografadas, desde 1932 - só Nosso Lar (editado pela Fedederação Espírita Brasileira) alcançou 1 milhão e oitocentos exemplares. Tendo sua obra traduzida nos mais diversos idiomas, Chico Xavier jamais usufruiu os dividendos provenientes do direito autoral; viveu com simplicidade e sacrifício seu apostolado. Trabalhador na seara de César, ali obtinha sua sustentação, dedicando-se em extenuantes serões noturno ao labor dessa interlocução, incansavelmente.
Contudo, não era, Chico, nem santo, ou paranormal. Dotado de grande sensibilidade sensitiva, cujos valores morais-cristãos capacitavam-lhe a ultrapassar as fronteiras do invisível, trouxe, não apenas, com as notícias do lado de lá, o alento aos corações enlutados. Trouxe, também, para a normalidade o que se considera, ainda hoje, como anormalidade; para o natural o que se entende, ainda, por sobrenatural, demonstrando na prática o que, antes, o cético professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), sob o pseudônimo de Allan Kardec, já o fizera, em 1857, desde o lançamento, em Paris, de “O livro dos espíritos”, primeiro de suas cinco obras a respeito do tema. Com espírito lúcido, debruçara-se, ele, na questão da intercomunicabilidade entre as duas dimensões, concluindo que ambas, porém, eram regidas pelas mesmas leis naturais da vida, trazendo, já naquela época, a hipótese da preexistência e sobrevivência da alma a que chamou espírito, fundamentando os princípios da doutrina espírita. Somos todos, segundo suas constatações e as, posteriores, milhares de notícias trazidas do lado de lá, querendo ou não, crendo ou não, seres imortais, vindos de um mundo transcendental para o qual retornaremos.
Os relatos apresentados no filme “As mães de Chico” parecem assegurar que a intercomunicação com os mortos “ecxistem”, sim. Não se tratam de testemunhos levianos, fantasiosos, dilações provenientes da perturbação de mentes vulneráveis e crentes. Quem de nós ousaria, de sã consciência, desacreditar do testemunho de um coração de mãe? Mas, para que os incrédulos comprovem, de fato, tal fenômeno, basta que aguardem um pouco mais a inexorável hora da partida, e, de lá, quem sabe, tentem encontrar um medianeiro que lhes sirvam de interlocutor. Por enquanto, em conformidade com o pensamento de William Sheakespeare, em Hamlet, acreditemos: “há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia”.



Maria Ângela Coelho Mirault é doutora e mestre em comunicação e semiótica pela PUC/SP
http:mamirault.blogspot.com/ mariaangela.mirault@gmail.com

Publicação na webartigos, em 01.04.2011-http://www.webartigos.com/articles/62627/1/NOTICIAS-DO-LADO-DE-LA/pagina1.html

3 comentários:

alvaro disse...

A comunicação com espíritos é possível, disso eu não duvido.

Nas Escrituras encontramos em (1João 4:1)"Amados, NÃO CREIAIS EM TODO ESPÍRITO, mas provai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo"
O que nos leva a entender que é possível tal comunicação, embora perigosa, devido ao fato de alguns deles não procederem de Deus.(Não falam em nome de Deus, não vem com boas intenções).

Possível é, mas será aconselhável?

Jesus afirmou que estaria conosco todos os dias e também deixou bem claro ser ELE o único intermediário entre o homem e Deus, quando disse "EU SOU O CAMINHO, NINGUEM VEM AO PAI SENÃO POR MIM"
O adepto do espiritismo no entanto, é levado a buscar como intermediários e guias "outros espíritos desencarnados" em "EVOLUÇÃO" e por isso mesmo imperfeitos, incomparáveis de qualquer forma ao Cristo, que aliás proclamam como "Modelo máximo à que pode aspirar o homem neste mundo"!
Ora, se eu tenho ao meu alcance o "Modelo Máximo" porque devo me dirigir aos modelos em construção?
Então eu pergunto: Porque devemos buscar intercâmbio com seres imperfeitos, que muitas vezes enganam de propósito (e outras tantas erram involuntariamente apenas por serem imperfeitos), quando o próprio Jesus, "O Cristo", disse que podemos busca-lo toda vez que precizarmos?

Eu sei.... o adepto da doutrina espirita é levado a crer, pelo conjunto da obra, que Jesus seria um espírito muuuito elevado, de vibração inalcançável para nós, e que por isso manda seus "prepostos" se desencumbirem das "taréfas menores"(Nós), pois ele sendo Governador do Planeta não tem tempo para nossas questões particulares... eu sei... já fui espírita convicto e estudioso.
Porém o Jesus que conheci no evangelho não é apenas um espirito evoluído, que governa este planeta, mas sim, O VERBO DIVINO que "Estava com Deus e era Deus" desde a fundação do Universo.
E apesar dessa sua natureza divina, despiu-se da sua glória e desceu aos vales mais profundos da ignorância humana, e esteve assentado à mesa dos pecadores, dos ladrões, das prostitutas, mastrando que ELE MESMO vem em nosso socorro, pois "são os doentes que precisam de médico" disse ELE.
Aprendi que é ONISCIENTE, por isso pode pessoalmente se encarregar de cuidar de cada um de nossos problemas e dilemas.
Não tenho nada contra espíritos, nem espíritas, mas vejo com preocupação uma doutrina criada há menos de 200 anos, que leva seu adepto a crer que não tem acesso à Jesus, que não precisa ter um relacionamento direto com ELE, e que acaba por nos tirar a fé em Jesus, uma vez que ensina que ele não redime ninguem e que cada um deve se entender com a "lei", desmentindo assim, o propósito principal de sua vinda a este mundo, que ELE mesmo explicou aos apóstolos tantas vezes. E com isso NEGA que ele seja "redentor", E ATÉ MESMO "curador", de quem quer que seja, IMPOTENTE DIANTE DO KARMA, para nos alcançar e nos acudir quando lho pedimos.
Esse é o problema com o espiritismo: Não é a "comunicação com os mortos", mas a DOUTRINA que foi desenvolvida em torno desse "FENÔMENO".
A "DOUTRINA" apresentada por Kardec, foi ditada por "espíritos" que pelas belas palavras, o modo erudito de escrever, e pelos conceitos morais humanitários levam a crer que sejam espiritos "que procedem de Deus", mas paralelamente nos leva a duvidar das coisas que Jesus falou e fez, nos leva a duvidar que ele tenha curado tantos quanto lho procuraram, pois ELE não poderia interferir no processo "Kármico" dessa forma.
Pelos frutos se reconhece se a árvore é boa ou não, e o fruto do espiritismo é o afastamento da homem do Jesus da Bíblia, que cura, salva e redime.

EFAS disse...

Parabéns pelo excelente artigo, ainda mais por vir de uma pesquisadora! A ciência e a fé podem e devem caminhar juntas.

Kárita Sena - Jornalista.

Valdir DM disse...

Maria Ângela: não sou cristão, embora torça pela existência de um Deus de todos (não-bíblico). Mas a Ciência vai acabar descobrindo o que de fato ocorre nesses casos de "comunicações vindas do Mundo dos Mortos".

A teoria de Lamarck, sobre a transmissão genética de características adquiridas por determinado indivíduo, tem sido desprezada, e mesmo falsamente reprovada por experiências patéticas (como a de cortar o rabo de sucessivas gerações de camundongos), pseudocientíficas. Nessa linha de pesquisa, mas em outra trincheira, temos Jung, com a sua teoria do Inconsciente Coletivo. Ora, juntando as duas teorias é possível vislumbrar a transmissão genética de "informações" sobre fatos e circunstâncias particulares ocorridas na vida de uma pessoa; principalmente quando se trata de experiências traumáticas (guerras, perseguições, etc).

Um sentimento profundo ou um trauma não podem vir "do nada" (no plano físico, não mental, já foi descartada, há séculos, a possibilidade de haver "geração espontânea"), e há ene casos em que a Psicologia fica "no mato sem cachorro" e no desespero envereda por "pesquisa de vidas passadas", na verdade (ao meu ver) informações genéticas de reações emocionais localizadas, particulares, de indivíduos de gerações anteriores.

Taí uma ideia para futuras teses acadêmicas...