sexta-feira, 15 de junho de 2018

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https://www.facebook.com/notes/maria-angela-mirault/quando-se-tem-de-fazer-algo-e-se-faz/2145748358771847/

domingo, 3 de junho de 2018

Pubricitários... menas ok



            Um erro crasso - que, comumente, os afetos colonizados e entendidos chamam de target (traduzindo: público alvo) de uma campanha publicitária - é desconsiderar a delimitação do receptor, para o qual todo o esforço de marketing quer alcançar. Mas, isso é fácil. Com quem você quer falar, interagir? Pra quem você quer vender a sua ideia, ideologia? De modo geral, quem consome a sua demanda, quem tem a ver com você. Mas, porém, contudo, em determinadas datas comemorativas, às vezes, se quer “causar”, extrapolar, sair do balcão e botar a boca no mundo com o intuito de se obter três minutinhos de fama. Joga-se, então, aquela mensagem dirigida ao público A para propagandear o que se quer: seja produto, gosto, valores, ao público B,C e D.  É muito simples e barato utilizar esse recurso; não o fosse, não teríamos tantos tapumes enfeando nosso mobiliário urbano mercantilizado. Como assim? Simples: alugamos e invadimos o espaço público concessionado -  permitido, concedido, pela Prefeitura, sob o amparo de uma leizinha municipal – e, adquirimos o direito de “megafonearmos” o que quisermos, aos gregos e aos troianos; com potencialidade de impactar fariseus e  publicanos. Se uns não gostam, atingimos outros, e, junto, atingimos, a massa ignara, alienada e “saliente”. Pow! Sucesso de campanha! Gênio da “pubricidade tupiniquim”; prêmio á vista.
            Se “o” lojinha é de comercialização de produtos para um público seleto (no caso, muito seleto - ahn?!), que, além da azulzinha, precisam apimentar suas práticas, por que, “esse” lojinha extrapola seu reduto comercial, provoca e invoca toda uma sociedade, não, apenas, a consumir seus brinquedinhos, como, também, induzi-la ao cometimento de suas práticas corriqueiras. Assim: “No dia dos namorados, saia da dieta (traduzindo: largue o que costuma COMER (patroa, namorada, etc!) e COMA um RABO, uma PIROCA, uma BOCETA (outsider)!
Normal! Êxito! Atingiram o target da campanha! São gênios!
Não. Não e não.
Atingir o target é saber o que se fala, para quem se fala e como se fala. Isso é êxito de campanha. Melhor, êxito de qualquer processo de comunicação. Do tetê- à- tête; fuça à fuça, ao empresarial, comercial, religioso, cultural.
A não diz (o que quer) a B (sob os códigos de ambos) para os Cs e os Ds! Isso é propaganda fascista, insidiosa, criminosa; indutora, quase subliminar. Se A quer falar com B, sob os códigos que dominam, é preciso se adequar a mídia, sempre, sempre, sempre direta: pé do ouvido, cara-a-cara, whatsApp, mensenger, email, cartinha, bilhetinho, cartãozinho, etecetera. Assim considerando, entendidos, o “Saia da dieta e coma um rabo” não é uma mensagem do target atendido com sucesso.
Há já bastante tempo, as mídias tradicionais, tragicomicamente, denominadas de massa, perderam muito de suas eficácias, para as novas mídias interativas personalizadas. As denominadas mídias sociais, desde o advento do ainda não explorado totalmente mundo da internete, sofrem ainda da esquizofrenia  de adequação do seu perfil, pelo menos em cinco aspectos: tempo, espaço, meio, receptor e mensagem. Os “pubricitários” formados pela escola da propaganda gebelliana, que, anacronicamente, ainda se ensina na academia, muito, pelo anacronismo na formação dos seus próprios docentes, formados pelas sombras das escola dos anos 1970, só acertam mesmo, com exatidão a cor preta de suas vestes, nos eventos de premiação. As formações acadêmicas em Comunicação Social foram resultantes de um dos projetos propostos e nascituros da ditadura governamental à época. Muitos de nós, que lá afluímos, sequer nos demos conta (ainda hoje! Credo!) de que no objetivo implícito dos cursos encontrava-se a formatação de um determinado capital intelectual a ser disponibilizado a um projeto de incursão no direcionamento da comunicação, dita social, que não “podia” ficar assim na mão de qualquer um. Nesse rol e nesse esquema adequaram-se aos denominados curso de bacharelado em Comunicação Social, as habilitações em jornalismo, relações públicas, publicidade, dentre outras de menor expressão. Por determinação governamental-ditatorial intentava-se mesmo era o controle do fenômeno incontrolável dos processos vitais da comunicação.
Foi a partir da Constituição de 1988 que o projeto foi bagunçado, mesmo as custas de muito chororô dos sindicalistas, derruindo, porém – graças a Deus – pelo menos, essa escusa arbitrariedade. Ecológico,  por se tratar de fenômeno da vida – bio-psico-social; intra e extra-sensorial, a comunicação, é de livre percepção, codificação, emissão, recepção, veiculação, decodificação (sem ordem nessa parada). Fenômeno esse que foge mesmo a esfera humana; abarca o micro e o macro cosmo; presente organicamente em todos os seres e esferas da vida. No entanto, ainda hoje milhares de jovens vão ao Enem com a opção lacrada em suas mentes de “cursarem” Comunicação Social, prioritariamente, na habilitação em Publicidade, a menina dos olhos de ouro do mercado. E, formam-se dúzias, dezenas, centenas de jovens publicitários, que, no fundo, não sabem nem pra que, ou pra quem estarão trabalhando. Na esteira, ainda se formam alguns jornalistas e uns poucos relações públicas, sob o foco embaçado de um anacrônico espelho retrovisor, a serviço de uma demanda que não mais existe.  Em passant, é isso!
Bien, mon ami, allons-y! Se queremos nos atribuir a competência do domínio empresarial, eficiente e eficaz de um fenômeno da natureza contido em nossas técnicas (obsoletas, reafirmo), vamos seguir as lições de 4 décadas atrás, ok? Quem comunica, comunica algo, a alguém, por intermédio de um canal. Esse algo é a mensagem a ser comunicada. Pois bem, o Gebell do processo terá, antes de tudo de saber: quem, o quê, quando, pra quem, com que finalidade. Se quero publicizar um conteúdo às massas, utilizo canais, vias, veículos, mídias que atinjam a massa. Se quero propagandear um produto a um público definido, busco adequar tanto minha formulação da mensagem quanto minha formulação midiática. O target me exige essa adequação. Os ignorantes dessa baboseira pagam, e, o mundo roda.
Maintenant que c'est fini, tá valendo tudo. Daí, apesar de extremíssimo mal gosto, mandar comer um rabo, no dia dos namorados, por meio de uma mídia absolutamente inadequada, e, ainda, ter a pretensão de constituir-se um target de sucesso, é um problema de um anacronismo doloroso. É de chorar! Meus pêsames, então, aos criadores, aos marqueteiros, aos pagadores e aos mantenedores dessa grosseria com a “massa”, “je vous demande pardon, monsieur, mais allez vous faire foutre ! pelo menos, eu, não vou sair do regime, nem vou ser “comida”!

Professora Maria Angela Coelho Mirault – doutora e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo
C. Grande, 03 de junho de 2018

sábado, 2 de junho de 2018

Quero ver a liberalidade aqui


       
            Duvido que publiquem! Duvido que tão claramente assim, se justifique, sem que os carolas pudicos se horrorizem; os pseudos-liberais a abonem. Duvido que, assim, tão explicita, os senhores das leis não se deem conta da licenciosidade envolvida; que os legisladores e executivo da cidade não se detenham e que, TODOS, diante do estranhamento, não se questionem: é isso mesmo que estão dizendo, na nossa cara?         Foi, exatamente, assim que, em nossa fria manhã deste sábado (2/6), nossa cidade-capital, Campo Grande amanheceu e foi brindada.  A mensagem é safada, insidiosa, grotesca, criminosa e diz assim: “No Dia dos Namorados, saia da dieta e coma uma “piroca”! E, “No Dia dos Namorados, saia da dieta e coma uma buceta”! Os outdoors estão em toda cidade; impossível não vê-los e não os decodificarem, exatamente como intentaram que o fossem (na linguagem e interpretação de alguns respeitáveis publicitários; exitosa campanha!). Alguns acharam engraçado e tocaram suas vidinhas amorais, outros, sequer, se deram, ou, se darão, conta da obscenidade ali exposta; a título de licença publicitária. Os inúmeros outdoors encontram-se em todos os lugares comercializáveis, emporcalhando nossa cidade - incluindo um dos quais ao ladinho da Igreja Matriz  de  São José!
            Então, tá! Se a exacerbação do tema veio da mente de uma pessoa reacionária cujo imaginário licencioso “leu” e “interpretou” o que quis, pode, TUDO! Se nada tem demais, se a interpretação é livre e de responsabilidade do receptor, porque lá, na mensagem publicitária, só está “um saco de pipocas e algumas batatas, com letrinhas e espaços pra completar (P - - - CA;  B - - -A”,  vamos usar o espaço público para qualquer mensagem, sejam elas licenciosas, imorais, racistas, mentirosas, insidiosas, que manifestem nossos mais obscuros valores, crenças e doenças mentais. Então, tá, se está tudo justificado, em nome do não-censuramento, que fique instituído o vale tudo – pagou/veiculou! Que passe a valer para tudo, sejam mensagens indutoras ao nazismo à explícita manifestação de racismo;  às divergências religiosas, à homofobia, e, seja mais lá o que  nos der na telha! Se o que está valendo (e deva ser preservado) é a liberdade de opinião e expressão;  é o direito ao livre-pensar, à licença poética e publicitária, à relação de demanda e consumo, como diria Tim Maia, a partir de então, vale tudo!
As palavras nada mais são do que signos arbitrários. Ponto! Mas, é no ecossistema semiótico social que se consolidam e representam alguma coisa para aquele sistema. Palavras indicam coisas; nomeiam coisas, organizam o caos. Na verdade, é fato de vertente científica no que diz respeito ao tema, que toda e qualquer mensagem só se realiza, encontra significado, na recepção do agente receptor, e, não na emissão do emissor, nem do mensageiro. Em tese, “não sou responsável pelo que você entende do que eu quis dizer”. De fato, é o receptor que detém o start do reconhecimento sígnico, da decodificação dos códigos linguísticos que constituem o texto emitido, em conformidade com seu potencial  e referencial simbólico, seu ecossistema semiótico.  Porém, isso não isentará, em nenhuma hipótese, o criador, o mensageiro e o veiculador da mensagem dos resultados obtidos, no final da cadeia semiótica comum a ambos. Estivesse ela codificada em russo, não haveria no nosso imaginário linguístico referencial de reconhecimento cultural possibilidade de decodificação; portanto, não haveria sequer a mensagem, por não haver recursos para sua interpretação e decodificação sígnica.
Com relação à peça publicitária, em questão, tanto o criador (infelizmente, nem entendeu seu juramento e sua responsabilidade profissional); a agência que a produziu; o empresário que a encomendou, a aprovou; a referendou e a pagou; a empresa que a admitiu e comercializou seu espaço concessionado pelo poder público, bem como,  os órgãos públicos que permitiram, por ignorância, ou omissão, sua publicização, são, sim, responsáveis pelo apelo violador, nela contida, no âmbito da Estética e da Ética que deveria, deverá, vigir nossa convivência social civilizada. É pra isso que estamos convivendo em sociedade. Dizer o que se quer, custe o que custar pode nos custar muito caro. Sem conservadorismo, sem puritanismo, sem viés reacionário, seja lá quem for, que se retirem, já, esses componentes do mobiliário urbano de nossa capital. Que assumam suas responsabilidades, cada qual em sua instância. Nós não merecemos isso!

Professora Maria Angela Ceolho Mirault – Doutora e Mestre em Comunicação e Smiótica pela PUC de São Paulo
C. Gde, 02 de junho de 2018.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Abaixo a tarefa de casa de uma escola caduca



            O traço é firme.  A vontade também. Ela quer escrever letrinhas em bastão. Mas, ela só tem quatro anos.
            No magistério do ensino fundamental, nas boas escolas públicas da periferia do Rio de Janeiro, alunos meus repetiam 5, 6 vezes o prato oferecido na merenda: peixe, dobradinha, galinha com arroz, salsicha com macarrão e ovo cozido, sopa de feijão. Para eles, essa merenda significava o único alimento durante todo o dia. O primeiro ano era aos 7 anos, o segundo, aos 8, o terceiro, aos 9. Àquela época, as escolas públicas eram qualitativamente melhores do que as particulares. Todos os seus professores eram concursados desde o Curso Normal (2 mil vagas, para 12/13 mil candidatos). Para esses, conhecendo a realidade de estrema pobreza, indicava três linhas de uma cópia de qualquer papel que tivessem em casa, ou achado na rua (jornal, revista, papel do embrulho), como tarefa de casa. Nunca fui de exigir absurdos que lhes transtornariam suas já tão difíceis vidas.
            Recentemente, o ensino fundamental obrigatório passou para nove anos; tem início aos quatro. Anteciparam o ingresso obrigatório à escola. Com quatro anos, nossas crianças são obrigadas a se matricularem no ensino fundamental, quase bebês. E, o que fez a escola? Nada! Não preparou-se para essa demanda. Adiantou o currículo; colocaram-nas enfileiradas em cadeira, para prestarem atenção à aula medieval que uma recém pedagoga lhes ministrará: A,B,C; 1, 2, 3...no mais absoluto silêncio.
            Quando vejo esse ser, cujo destino está traçado para além das estrelas, desenhando, com suas gordas mãozinhas, letras (que o computador já faz), trazidas como tarefa de casa, invadindo seu precioso tempo de ser inteira, brincar, viver, imagino que cada traço que lhe foi proposto executar está lhe roubando tempo de sua vida recém-iniciada. Imagino que essas frações de segundos consumidas pela ampulheta do tempo, inexoravelmente, nunca mais lhe serão restituídas. E, dói.
            A escola envelheceu arrogantemente; é uma senhora caduca, emburrecida e cruel. Teima em manter suas práticas anacrônicas e supérfluas. Tratam sua clientela (preferencialmente, os pais) sem qualquer vontade de se renovar. Novas e velhas doenças (TDH; TBP, depressão, anorexia, pânico, medo, terror noturno), vão surgindo, silenciosamente.  A criança apenada.
            Na verdade, a escola se perdeu, moribunda, NÂO soube (não sabe; não pode) aproveitar esse primeiro e segundo anos obrigatórios oferecidos para os pequenos de quatro, cinco anos.  Essas crianças não precisam de letramento. Precisam da leitura de mundo. Precisam do mergulho em seu rico e incomparável ecossistema semiótico, expressá-lo em suas falas; seus desenhos, suas bugigangas de sucata, seus leguinhos, seus super heróis, seus brinquedos e brincadeiras, e conversas com os seus pais, irmãos, vizinhos; professores, coleguinhas; correlacionar filmes, desenhos com a própria vida, entender seu papel em seu meio familiar, depois na sua família ampliada, enfim, tomar conta da sua vida, na qual a escola é e sempre será, apenas, complementar.
            Tarefas de casa são recursos para agradar aos pais do conceito equivocado, ultrapassado, e, que, por sua vez, precisam ser orientados. Não cabe mais no mundo do tablete, da comunicação online, do Google, documentários maravilhosos. É preciso mais do que nunca compreender que o tempo da criança é agora; cada minuto roubado é estelionato, é furto de um tempo precioso irrecuperável.
            Contenha-se escola! Repactualize suas velhas e ultrapassadas didáticas. Desarrume esse quadrado medieval. Pergunte o que seu aluno fez de legal, sente no chão, pedagoga, troque ideias com os coleguinhas, converse sobre sua família, como foi seu dia, o que aconteceu de bom, também com você. O mundo dessas crianças será incomparavelmente diferente do que o Enem, você, escola - por incompetêcia, preguiça, e lucratividade - imaginam. Ninguém sabe!
             Cada vez que minha menina de quatro anos, busca sua lapiseira, abre seu livro e começa a tracejar o “A”, penso, penalizada, no precioso escoar da ampulheta a lhe roubar a preciosidade do seu tempo. Não precisamos só de Educação, mas, de uma Educação que valha a pena viver e transformar.

Maria Angela Coelho Mirault
Professora, Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica/ Signo e ignificação das Mídias
Campo Grande, 25 de abril de 2018
Publicado, dia 27.04.2018, jornal Correio do Estado. Campo Grande, MS.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

“O rabo abanando o cachorro”



COMO é que pode, dezesseis juízes, desembargadores, ministros, todos estarem cometendo erros tão graves com relação ao inquérito da Polícia Federal, à denúncia do Ministério Público, ao julgamento e à condenação em primeira e segunda instância do ex-presidente, réu e condenado Luíz Inácio da Silva? Como pode, segundo linguajar do ilustre ministro Gilmar Mendes, o “rabo abanar o cachorro”?
O ex-presidente e candidato (sic) do PT , seus companheiros de militância (cega) política teimam, mesmo com a ficha mais suja do que pau de galinheiro, manter a utopia de retorno ao comando dos nossos destinos, mesmo constatando, peremptoriamente, sua popularidade no patamar de 30%. Ôbvio que, esse patamar nos índices de pesquisas encomendadas - antes da hora, diga-se de passagem - implodirá o PT. Seus comparsas, digo, correligionários, só fazem segregar-se, com muito ódio e violência, de nós, brasileiros normais, acirrando, por outro lado, fanáticos que se lançam a outra aventura, num “rivive” fenomenológico collor-de-mello. Lindemberg, Gleise, Stédile e outros, já ultrapassaram o tom da civilidade do espírito de época (não nos encontramos na Idade Média), que, nós, mortais rebelados, vivemos.
É certo que cada um tem sua cosmovisão com relação à realidade e ao mundo. Esse repertório se constrói ao longo de nossa história, dos nossos acervos pessoais, culturais e intransferíveis. Não há unanimidade nem convergência de pensamento e ideologias; cada ser constrói a sua. Compartilhar conteúdos pessoais, no dizer de Habermas, é uma impossibilidade, visto haver comprovado, em sua teoria da ação comunicativa, que a comunicação para o entendimento é mera suposição, talvez, uma tênue possibilidade, impossível de ser comprovada. Percebemos, ouvimos e compreendemos o outro com as limitações de nosso repertório (paideuma).
O PT tem nos demonstrado com maestria essa tese: cada um de seus correligionários do staf que tem voz,  tem um palpite, cada um acredita estar inspirado e  imbuído do que lhe seja mais adequado. “Se entrega, Lula!” “Não se entrega, Lula!” “Faz pronunciamento, antes da prisão, Lula!” “Não, não o faça!” “Desobediência civil, Lula!” “Resista â prisão, Lula... permita e comande a coreografia do cáos, da barbárie para que o espetáculo de sua prisão transforme-se e seja utilizado em campanha, como um conteúdo midiático.” “Não, não faça isso, deixe tudo com Stédile e negocie com a Polícia Federal”.
 Ou seja, no dia anunciado para sua detenção, teve de tudo: tal como um velório de corpo-vivo-presente, o circo foi formado, teve pagode, cerveja e churrasco, numa pândega despedida rumo à República de Curitiba, sob os domínio do competende e firme juiz Sérgio Fernando Moro.
Não, não há estrategistas capacitados nas hostes do PT. Está tudo embolado e em contradição. Ninguém se entende.  O que importa é o exército do Stédile a postos com mais de 8 mil alistados, pelo MST; o que significa, baderna comandada, nas estradas, nas vias públicas, na frente do prédio da Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Uma mentira contatada muitas vezes, acaba passando por verdade, e, os inaptos começam a acreditar no golpe, na perseguição política e, até o próprio condenado já acredita que convencerá seus fiéis e acéfalos seguidores.
Sinto ressaltar, senhor Lula, que o senhor não foi indiciado, julgado e condenado porque é essa Brastemp toda que sua militância tenta impor aos brasileiros e ao mundo. 70% de nós, estamos fora de sua contabilidade. O senhor foi indiciado, julgado e condenado por roubo do dinheiro púbico por meio das propinas oferecidas (e aceitas) como benesse de influência de grandes empresas ao seu governo. Lembre-se que sua primeira condenação restringe-se ao “triprex” de Guarujá. Seguir-se-ão outras bem mais robustas.
De que lhe serviu acreditar que era um deus? Que vergonha, hem, luiz-inácio... quanto mais paga (pagam?) sua defesa, mais ela se enrola. Sabe o por que? Porque o senhor não está sendo perseguido por ser o grande – salvador- da pátria - defensor dos pobres e oprimidos. O senhor foi condenado mesmo por roubo à nação brasileira, em conluio com as traças que corroem o País.
Como ex-eleitora de suas promessas, da esperança anunciada por um partido que cantava de galo, ecoando a esperança de um novo tempo, tenho toda autoridade de -  já do outro lado da cerca dos abduzidos, inebriados, comparsas e alienados, - dizer: Que papelão! Sua fuga para o sindicato é recorrente, outros momentos de sua história o comprovam. Assistindo, em passado recente o filme Lula, o filho do Brasil, dá-nos os primeiros insights. O seriado O Mecanismo, de José Padilha e o filme da Lava Jata, podem ser recomendados como antídotos para a cura dos ainda ébrios. Mas, eles nem querem ver. Breve, o senhor estará sozinho, como Cunha, Cabral e Pallocci, falando com as paredes, na cela especial ... pero no mucho.
Quanto a nós, os 70 %, basta-nos uma contenção enérgica nos arruaceiros do Stédile. Um sossega-leão no bipolar-do-gilmar, no oportunismo-de-tofoli, na prosopopeia-de- levianandovisck e na insistente falta de argumento- e- de- educação- do- marco... Acima de todos vocês, acumpliciados, temos Carmem Lúcia, a grande estrategista.
Seu bando de arruaceiros não desestabilizarão nossas vidas. Stédile não é nada. Somos um país sólido. Nós, os fortes 70% dos brasileiros de bem, resistiremos, assistindo, penalizados, sua derrocada burlesca. Uma só recomendação a mais: não esquece o casaco; Curitiba costuma fazer muito frio. Boa viagem e uma Boa estadia na República de Curitiba.

Professora Maria Angela Coelho – Douotora e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo
07.04.2018

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Um 2018 pra cada um


            A Semiótica – ciência que dá conta do estudo das representações – nos leva a conceber a realidade não passível de apreensão direta. Para tal, traz implícita a necessidade da intermediação sígnica que a nomine e a signifique. Ou seja, cada ser percebe e concebe a realidade em conformidade com um repertório personificado de significação. O azul do céu não traz em si o seu significado; é objeto de interpretação e representação semiótica. As coisas existem pelo significado que somos capazes de lhes auferir. Nada é o que parece ser; tudo procede de significados que lhes damos. É na condição de um ser simbólico, produtor e interpretador de signos e significados, que o homem concebe e interage no mundo.
            A Física Quântica – ciência que agudiza os conceitos anteriores da Física Clássica – ao trazer a lume a perspectiva de que o fóton - submetido em experimento a um observador - pode atuar, ora como partícula, ora como onda, nos aponta para muitos mistérios a se revelar. Só o fato de que a ação direta do observador seja capaz de modificar a realidade física, muda tudo. Não existe o eu que olha e observa, mais; agora, existe o eu que modifica e interfere no que vê. Assim, a realidade em si não existe, passa a existir sob nossa intervenção e interpretação. Se há Sol lá fora e minhas cortinas estão fechadas, minha realidade co-criada é escura, sombria; peculiar e minha. Desse modo, cada um dos mais de 7 bilhões no planeta tem uma realidade de acordo com sua capacidade de perceber, interpretar, decodificá-la e transformá-la, absolutamente sujeita a sua presença no campo quântico, com o apetrecho de sua cosmovisão, além, obviamente dos filtros provenientes da constituição física que nos confere o arcabouço para estarmos no mundo.
            A Cultura, por sua vez, é o habitat, no qual, inseridos, somos instados a nos relacionar por intermédio de signos e significados apreensíveis, compreensíveis e compartilháveis. É o ambiente ecologicamente semiótico, preexistentes e subsistentes, a nossa curta vida, já pleno de conceitos e de crenças enraizados, de valores, hábitos e comportamentos configurados como verdades, que atravessam gerações. Nosso mergulho nesse vasto caldeirão semiótico, de signos e significações constitui-se no filtro, na lente, pelos quais tateamos na tentativa de compreender o mundo. Somos todos ETs em espaços sistêmicos alosemióticos.
            Bem, se a realidade é uma construção nominada, dependente da semiose de significados peculiares, sob a regência de repertórios pessoais... Se, ela pode ser concebida uma co-criação do observador, que ao modificar o fenômeno que observa, passa a ser dela um participante... Se, a Cultura é a lente que nos circunscreve em um ecossistema de significados não compartilháveis... Se, ainda, a contagem do tempo é convencionada por calendários não unificados, e, apenas parte dos bilhões do lado Ocidental comemora com exaltação coletiva a convenção da passagem do ano, o que será o novo ano para nós?

            Será o que cada um de nós dele o fizermos. Serão bilhões de 2018 - um pra cada um! Vai depender da percepção pessoal de construção da realidade. Vai depender da co-criação nos fenômenos em que se estiver inserido, engajado, participante dos fatos e acontecimentos sob sua “regência”.
            Quem sabe ainda tenhamos tempo de fazer desse pequeno espaço de tempo, que nos levará a nova convenção de outro Ano Novo, um mundo melhor para cada um de nós, respeitando o reinado das peculiaridades do outro; dos sistemas ecologicamente semióticos preexistentes e sobreviventes a nossa quase insignificante intervenção, na certeza de que, de algum lugar, Forças Maiores reconheçam Ordem e Harmonia, nos conferindo a confiança de que podemos fazer desse ano - suscetível a nossa capacidade de percepção, ação e transformação - o melhor. Façamos de 2018, finalmente, um ano absolutamente nosso, por conta e risco. Além de tudo, cientifica e filosoficamente, está tudo certo.

Professora Maria Angela Coelho Mirault – doutora e mestre em Comunicação e Semiótica e Signo e Significação das Mídias, pela PUC de São Paulo

03.01.2018

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Novos paradigmas

             
            Os grandes pensadores desvelam partes paradigmáticas de uma única Verdade, ainda não acessível. De tempos em tempos, somos visitados por esses seres especiais, que, além do Espaço-Tempo, vêm nos anunciar suas proposições filosóficas.
            Toda minha trajetória na pós-graduação acadêmica, se deu à luz da Fenomenologia e de seus cientistas. Pude examinar fatos vivenciados, por intermédio de pesquisas qualitativas, e, constatar a grandeza dos pensadores fenomenológicos, haja vista, atentarem-se ao fato, à vivência (única) observada, no seu momento em que acontece, sob o entendimento quântico de que ao observarmos, transformamos o fato vivenciado. Detêm-se, eles, à realidade em sua fictícia e brevíssima instantaneidade; observam-na, em suas diversas manifestações; cuidadosamente, debruçam-se para, somente, após, deduzir causas e leis que as movem. Esses são os que examinam o planeta (e, a vida) com um propósito, um mandato; não, apenas, como uma esfera qualquer ao sabor dos movimentos telúricos. Esses cintistas-filósofos são simples, parcimoniosos, sábios ao distribuírem suas conclusões sobre o mundo e as leis que regem a vida em si, a qual todos nos submetemos (ainda como mistério). Se, nos detivermos aos registros da História, conseguiremos identificar muitos deles que, ao longo das Eras, transformaram paradigmas anteriores e institucionalizados, culturalmente. Sem contradita, suas ideias vão alcançando, pouco a pouco. Minorias silenciosas – talvez mais angustiada e cavucadora de conceitos e empreendedorismo para avançar – vão somando-se e expandindo-se para outras, que, pelas bordas do ecossistema cultural, vão aceitando e assumindo o “novo paradigma”. E, assim, vamos prosseguindo para estágios cada vez mais equilibrados e coerentes com a Verdade, como categórico universal. Piaget chamaria esse estado de mudança de “acomodação majorante”, porque se equaliza em patamar paradigmático mais elaborado do pensamento humano.
            O psicanalista e filósofo, Bert Hellinger, acabou de completar 92 anos, em plena atividade, difundindo suas ideias pelo mundo.  Esse filósofo alemão contemporâneo, não para de pensar, arguir e exprimir seu rico e valioso pensamento a respeito dessa realidade, na qual estamos, todos, sem exceção, inseridos. Ético com suas formulações, ele ainda revê seus conceitos, e, não dá por fim seus experimentos e vivências, de onde abstrai suas deduções. Abraçando, com humildade, constatações de outras áreas e outras ciências, caminha e aponta novo paradigma nesse patamar majorante a respeito da vida, suas leis, com alcance a todos nós.
            Hellinger, que já atuava com os sistemas familiares, em sua prática terapêutica, observando e deduzindo suas Leis Maiores, propõem a existência de três Leis - as quais, denomina por Ordem do Amor - a nos reger os destinos, todos vinculados, inexoravelmente, a serviço de uma Força Maior. Afirma, assim, que, todos necessitamos de pertencer a um único lugar que é nosso; todos devemos respeitar uma hierarquia - que não pode nem deve ser quebrada – e, que, todos necessitamos movermo-nos, sob a lei do equilíbrio, que nada mais é, do que o bom tomar e o bom receber.  Segundo suas postulações, essas três Ordens estariam por trás de todos os vínculos e envolvimentos familiares, organizacionais; quer no micro, ou macro sistema sócio-político, que só a Fenomenologia seria capaz de desvendar. Com seu paradigma inovador, nos apresenta uma proposta de reorganização diante do mundo. Pertencer ao meu lugar. Respeitar quem veio antes de mim. Dar e receber com equidade. Seria tão impossível assim, acompanhar, observar em nós, o que propõe? Estou no meu lugar? Reconheço a primazia dos que vieram antes? Sou capaz de dar e receber com equidade? Pontos a refletir nessa nova ciência, novo jeito de pensar o humano e seus inter-relacionamentos. Uma descoberta a fazer!

Maria Angela Coelho Mirault
Doutora e Mestre em Comunicação pela PUC de São Paulo
C. Grande, 29/11/2017

https:mamirault.blogspot.com
Publicado em 02/12/2002, no jornal Correio do Estado, Campo Grande, MS